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Cristianismo – doutrina elitista e subjugadora

dema

 

Estranha-me como o cristianismo moldou a sociedade ocidental sob ótica cultural e religiosa, tendo se tornado poderosíssimo instrumento de controle social durante já há dois milênios.

A bem ver, tem suporte no poder político e ao mesmo sustenta, num enlace visceral fortalecido no decorrer dos séculos. Inquestionável sua força durante a europeia Idade Média, empurrando goela abaixo sua doutrina elitista, arcaica, arraigada em crendices incoerentes, o que impedia, até mesmo, o progresso das ciências. Não é por pouco que Marx considerava a religião como o ópio do povo. De certo modo, não há negar o conformismo advindo da crença no paraíso pós morte atrelado à submissão das classes menos privilegiadas às classes dominantes. A promessa da felicidade além túmulo travando a luta por melhores condições de vida e pelo progresso.

Não por menos, Sartre entendia o homem como um dado da natureza, posto a seu arbítrio para tornar-se o que para si projetasse. Ou se faz homem de fato por ação ou continua um zero à esquerda.

Então me pergunto, voltado ao macrocosmo, contemplando a grandeza do Universo em mutação e extensão constantes, num ato único do Deus Criador Eterno (nEle não há de se conceber mudança, ou não seria perfeito), se tem cabimento fático sua ficta composição trina, destinada, ao que parece, a salvar a humanidade condenada à morte pelo pecado.

Haverá vida apenas em nosso planeta? E se houver noutro corpo celeste, cairá por terra todo o arcabouço cristão?

Que lógica há na religião histórica, como se os antepassados pré-Cristo não tivessem direito ao paraíso propalado por Jesus?

O cristianismo posiciona-se na propagação de um Deus justiceiro, que cria o homem e, por desobediência deste, o condena ao sofrimento e à morte, à infelicidade eterna. Em seguida, quer domá-lo, submetê-lo a um rígido controle comportamental, mediante a ameaça do fogo do inferno (onde?) contrabalançada com a promessa da felicidade celestial eterna, depois da morte, no Reino de Deus. Esse, agora, seria o Deus misericordioso, na verdade, o controlador.

Quem é o homem para arvorar-se em queridinho predileto de Deus, a merecer que o Criador enviasse o próprio filho para salvá-lo? É como se desde sempre tivesse projetado um filho (Deus e homem) para salvar uma criatura que Ele mesmo condenaria. Com a devida vênia dos teólogos cristãos, “é muito sapo para uma goela só”.

E quando Deus condena a humanidade por causa do pecado, pecado de “natureza”, que culpa têm os descendentes do pecador para serem obrigados suportar as agruras da condenação? Onde fica o conceito de personalidade, de responsabilidade pessoal? Essa justiça é obviamente injusta, tanto quanto ou pior do que a justiça humana que, historicamente, estendia a punição aplicável ao criminoso até a terceira, quarta ou quinta geração deste. É a condenação pelo sangue e não pela responsabilidade pessoal. Por certo que a justiça divina assim não se enquadra.

Mas a admiração quanto à força do cristianismo perdura. Como um triênio de pregação junto a um povo perseguido durante toda a história humana (campo fértil para se incutir a esperança de salvação, de ressurreição) prestou-se a base da civilização ocidental e mantém-se forte até os dias atuais? Um profeta, como tantos outros da época, fez história. Afinal, que sucesso, Jesus!

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