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Das sombras ao nada

dema

A desilusão abafa o estro,
manda o poema às favas,
obnubila a poesia presente
ou chuta-a para as nuvens.

Feliz o poeta outro que a encontra,
aspira–a e a respira com o matiz de sua alma.

A desilusão rechaça o afeto,
encasula e enterra o belo na escuridão.

Feliz o semideus que o desenterra,
desencasula-o e o liberta aos ares,
que lhe dá asas e o venera.

Maldita hora do nada,
da repugnância, do desprazer!
Foda-se o céu,
o inferno,
deuses, anjos e demônios!
Pachorra agourenta do suicídio,
da inutilidade do ser,
da negação da existência!
.
Que venha o fogo arrasador!
Que venha o dilúvio,
a inundação!

Hora da sucumbência, da frustração, do tédio.
Hora da merda.
Foda-se o mundo,
Foda-se a vida.
Fui.

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