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Confissão (do ente)
dema

A vida toda te amei,
bem sabes,
posto que, fingindo, o negues.
Tua alma não mente.
A minha sente saudades,
doces e amargas lembranças
de um tempo distante, recente,
e até do porvir inda ausente.
Em sonhos a tive,
olhar meigo e terno,
lábios róseos,
úmidos, quentes;
respirar ofegante,
o beijo ardente;
sentir vazando dos poros
no agarro ao meu, inocente.
Em jaula, prendeste minh’alma,
o desejo de amar outra vez.
Quimera te fazes,
que, longe, presente te tornas
e meus líricos anseios devoras.
Com rédeas curtas me prendes,
me tanges, me tens
e impedes que eu viva
um amor diferente.
És meu concreto fado,
platônica felicidade,
meu doce e triste
viver carente.

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