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Crueldade em lamento coroafl

(dema)

A poesia chora a crueldade humana.
Dádiva divina, chegou-nos a vida,
porém, a não poucos, assaz combalida.
Não se explica o modo vil-banal-insano
de como a trata o poder palaciano
e o tráfico e bombas do terror suicida.
Até onde a cruz redime e o Livro mata?
Ou é subterfúgio, apenas bravata?
Que mais acomete a alma prisioneira
de quem, promíscuo, arroga santidade,
senão invejada alheia liberdade,
quando usufruída da melhor maneira?
O que acirra o ódio do que quer pra si
todo o bem do próximo, a fortuna farta,
e faz disso o ópio, pondo-o a perseguir
qualquer vida aliena? Crê que o desacata?
De que vale ao louco ter fé infartada,
pra barrar a vida do infiel decente?
Infidelidade em cabeça demente,
que só a própria crença entende acertada.
A poesia chora a crueldade humana,
a morte de Zés e de estupradas Anas.
Diante deste caos, imploro por socorro,
que o Senhor da vida mude a nossa sorte,
de nós tire o gene que conduz à morte,
e vire esta página de sangue e choro.



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