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Infernidade

dema


Andeiro pela vida, longe e perto, ouço
soluços quebrados de fracasso e sonhos.
Bem sei, te perdes entre choro e risos,
se não por paixão, perda de juízo.
Sorves do desprezo que esfacela o ser
e da mágoa pura, logo, te embebedas.
Finado amor, tu desabas súbito.

Em tu’alma cravas a existência torpe
e muda te fazes por desesperança.
Fúnebre apatia de sentida fleuma
exala das lágrimas de um torcido lenço.

Maldito sol, este de primavera,
que castiga as flores antes da procela,
com muito prazer, queima lembranças vagas
do expirado tempo de glamour e paz.

Ingrata noite _ Óh, que interminável! _
fustiga a insônia nos olhos doídos,
o roto lençol, marcando a pele flácida,
desprotege o corpo, quase carcomido.
Os segundos-horas, os minutos-meses,
uma hora-ano, uma eternidade,
_ incomensurável, essa “infernidade”!.

Imploras ao raio vir romper a aurora,
precisas cuspir o fel da boca amarga,
onde, doravante, não faz moradia
o saudoso beijo da figura amada;

Vida oca e louca, sem som de piano
sem trombeta de anjo, sequer um poema,
vida nebulosa, vida em desengano,
a alma minguada, menos que pequena.

 

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