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Jardineiro ad hoc
dema

 

Arranco o mato,
pé por pé.
Trovejando, desacato-o
e levo fé
que daqui desapareça
ou, se quiser,
que cresça
no jardim vizinho
ou onde lhe convier.

Com força, sim,
erradico-o
e me sinto sádico
quando, degolado,
faz forca de meus dedos afilados.
Rasgo fundo a terra
que o sacho coração enterrra
para extirpar, dele a raiz,
e, eu, vê-lo cumprir a pena,
u’a morte não serena,
da qual sou o juiz.

Jamais fui jardineiro,
faço-lhe, no entanto, a vez
para furtar-lhe, por inteiro,
o prazer que é apenas seu, talvez.

E a grama, após regada,
olha-me verde enternecida;
já minha alma, assim enlevada,
Põe-se a sorrir da vida.

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