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Quem sabe "Marte"?
dema

Margaridas dobram-se sobre as hastes.
Calor infernal.
Murchos, inclusive, meus pensamentos.
Pássaros querelam pelos tolos insetos,
dispensam  lagartas céleres em busca de paredes cobertas.
Domésticas “rapam” do serviço; as madames, na certa,
não voltam cedo do shopping.  (Do shopping?)
Verdade, surrupiaram a verba para as escolas de pau a pique.
Abarrotados, os cofres suíços e de Cayman recusam dólares sujos.
Apagam-se as centelhas restantes do matutino ataque de mísseis russos aos redutos bárbaros nas terras sírio-iraquianas.
Contêineres brancos cozinham, dia após dia, milhares de refugiados por ali.
Escravizadas meninas yazidis, fugidas de seus estupradores,
tentam expulsar os traumas para o espaço vazio em que fitam.
Faltam anjos para a guarda dos vivos.
Talvez estejam se dopando na América ou a abusar de coroinhas.
Ao capital pouco importa o regime, a ideologia.
E agora? Onde a propina para as eleições de 16?
Se as instituições funcionam, rotulam-nas parciais.
Hospitais e postos já não atendem: doentes de mais e recursos de menos.
Deus, só de butuca: “imprestáveis!”.
Perdido nesse mundo abestado, eu. Você?
Quem sabe “Marte”!


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