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Temporã

dema

Eu, menino no quintal,
de quando em quando, normal.
Comia fruta de tempo,
porém, não raro o momento,
preferia a temporã
(aquela que, em vez de hoje,
deixou pra vir amanhã).

Hum! de dar água na boca,
a mexerica azedinha,
extemporânea, mas louca
por parecer mui docinha.

Aquela goiaba mágica
que eu degustava em segredo
ressurgia da folhagem,
pois de mim não tinha medo.

Todos os pés vasculhados:
caqui, laranja, caju;
já na moita de bambu,
mel de abelhas jatai
(Zumbindo, zumzum, zumbindo
e eu não ‘stava nem aí).

E as supimpas cajá-mangas
me chamando, do vizinho;
claro, eu lotava a capanga
e vazava de fininho.

Tal qual furtar milho verde
na roça do Nhô Jacó,
de tanta espiga no saco,
mal o fechava com nó.

Doutra feita, a melancia,
para escolher uma só,
eu furava a maioria,
sequer tiquinho de dó.

Estranho mesmo era manga,
nunca encontrei a destempo;
por não achar, a munganga
virava meu passatempo.

Inda bem que a vida passa
e fatos viram momentos.
A lembrança os traz de graça
e produz contentamento.

 

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