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Vento safado

dema


Insistente, malicioso,
o vento noturno vaza a janela.
Vem, ardiloso,
sussurrar aos ouvidos dela
lembranças ternas, não arredias,
de lascivos afagos e carícias.
Hálito quente umedece-lhe o colo.
Ofegante, desce aos seios hígidos.
Então, com dolo,
eriça-lhe os mamilos.
O beijo prolongado suga com a língua
a seiva da alma.
No enlace rude de braços fortes o corpo mingua,
mas não pede trégua nem calma.
Calor intenso dela se apossa,
excitação a acossa,
levando-a, na rendição inconsciente,
entreabrir as pernas. E logo sente
o arrepiar dos pelos
com o suave deslizar do lençol de cetim.
Nua, contorce-se sem qualquer apelo
e experimenta o amor
penetrar-lhe o ser com frenesim.
Longe a tristeza, a dor;
pura emoção, sentido, paixão.
Nenhum ai, tão só gemidos e rolar de corpos.
Um baque... é o chão.
─ Que merda!



 


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vento

 

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